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Suficientemente boa, 2025
A obra consiste em uma escova de cabelo em escala real inteiramente construída a partir de cacos de vidro. A escova é apresentada sendo segurada por uma mão de gesso hiper-realista, moldada e pintada a partir da mão da artista.
Neste trabalho, parto de contradições entre cuidado e perigo. A escolha de um objeto doméstico íntimo, com função de estética, higiene e afeto, torna sensível a dialética entre tocar e ferir. O termo “cuidado” é ativado em sua dupla valência: prática de proteção e enunciação de alerta. Ao mesmo tempo em que a escova remete ao cuidado enquanto autocuidado e cuidado ao outro, os cacos de vidro, muitas vezes, precedem o alerta “Cuidado! Tem vidro quebrado aí”.
O título se ampara no conceito psicanalítico de “mãe suficientemente boa” (D. W. Winnicott) para deslocar a noção de cuidado para um campo ambíguo, onde a proteção é sempre provisória, limitada e passível de ferir.
Como operação estética, a peça pretende produzir uma experiência imediata de tensão: atrai pelo reconhecimento do objeto cotidiano e repele pela sugestão de risco ao toque.
A presença da própria mão da artista introduz uma camada autorreferencial, tornando o gesto de segurar a escova de cabelo, culturalmente símbolo de cuidado, vaidade e feminilidade, também um ato de exposição e ferimento. Podem as práticas de autoproteção, paradoxalmente, ferir o próprio corpo que buscam proteger? Entre o afago e a ameaça, Suficientemente boa é uma escultura que contradiz a si mesma.
Suficientemente boa, 2025
Gesso, tinta acrílica, esmalte de unhas, vidro e cola
27 x 15,5 x 10 cm
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PARTICIPAÇÃO EM EXPOSIÇÕES
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Exposição Dedos Cruzados
Na Casa de Cultura Mario Quintana
Curadoria do Coletivo Mentiras Autorizadas
Coordenação de Bruna Fetter e Munir Klimt
2025

Exposição Tenho tesão em ser artista
Pinacoteca Barão de Santo Ângelo
Curadoria e produção pela Turma do Laboratório de Curadoria 2025/02 / IA-UFRGS
Coordenação de Gabriela Motta
2025